sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sabia que ... (2)

Para além das barragens/albufeiras concebidas e construídas em arco de alvenaria (que foquei neste post), destaco outro método de construção, mais recente e actual, que está também presente na Serra da Estrela, pelo menos na génese de uma barragem (Cova do Viriato).

De um modo simples e claro (eu sou apenas um curioso que quer saber um pouco mais sobre estas estruturas marcantes, que fazem parte da paisagem e história recente da Estrela), as barragens de betão distinguem-se em vários "sub-tipos":

- Gravidade (aquela que vamos abordar neste post);
- Contrafortes;
- Arco-gravidade;
- Arco-abóboda;
- Betão compactado (BCC).

As barragens de betão gravidade transmitem os esforços, como o próprio nome indica, por efeito da gravidade. Este tipo de barragem é característico pelos seus maciços trapezoidais, adequados a regiões de topografia suave, uniforme e com vales largos, tal como acontece na Cova do Viriato.

São barragens/albufeiras concebidas de modo que a sua forma geométrica, em geral de secção triangular (pode-se constatar através da observação do pontão junto à estrada) aliada ao peso específico do material, mantém a estrutura estável frente aos esforços de queda e deslizamento impostos pela água e outras solicitações. (Ex. Barragem de Penha Garcia, em baixo)

Apresentam uma secção transversal trapezoidal que lhe confere estabilidade por si só e resistem apenas pelo seu peso necessitando, por isso, um maior volume de betão em comparação com os outros tipos de barragens em betão. Em termos de fundação são bastante exigentes no que diz respeito à resistência dos terrenos, idealmente formados por um substrato rochoso resistente e sólido, com pouca profundidade. (Só por aqui arrisco afirmar, de uma forma empírica, que a futura barragem das Penhas II, não poderá ser construída segundo este método. Eu aventure-me a apostar no método (talvez) semelhante à barragem de St.ª Lúzia, face ao estreitamento e profundidade do Vale da Bouça)

De modo simplificado e acessível, eis como actuam as forças nas barragens em betão gravidade:

Resultante do peso da barragem(W):
Yb - peso específico do betão (25kN/m3)

Resultante dos esforços exercidos pela água (Rw):Yw - Peso específico da água (10kN/m3)

R - Força resultante de todas as forças a actuar na barragem.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Lagoa da Ribeirinha


Após um interregno de vários dias, consegui dar atenção aos Lagoas da Estrela, oferecendo-lhe mais uma das nossas "anfitriãs" inseparáveis.

Desta vez trata-se da Lagoa da Ribeirinha, para mim, desconhecida até há bem pouco tempo. Fui presenteado com cenário idílico, em pleno pôr-do-sol, com a água a iniciar o seu processo de solidificação e acompanhado por um silêncio tão aterrador, como sedutor.

Pior, só mesmo ao longe, a imagem dos "mastodontes" e afins da Torre, cujo significado (e importância), ao lado desta pequena e simpática lagoa, é praticamente diminuto, senão mesmo inexistente...









sábado, 15 de dezembro de 2007

Lagoas glaciares do Mundo (1)

Mais uma nova rúbrica, agora no que diz respeito às lagoas que podemos encontrar no nosso Planeta. Para percebermos e apreciarmos estas maravilhas da natureza é necessário termos em consideração uma perspectiva holística. Embora os fenómenos glaciares que deram origem às lagoas/charcos existentes na Serra da Estrela tenham sido menos "intensos" do que noutros locais, isso não significa que as nossas riquezas glaciares não possam ombrear com os grandes cenários que podemos visualizar de seguida. Devemos estar orgulhosos de possuir em Portugal, nomeadamente na Serra da Estrela, lagoas e charcos de origem glaciar, que constituem uma mais valia de índole natural e turística do nosso país.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Lagoa dos Cântaros

Uma lagoa que reina no imaginário de quem teve a oportunidade de a "visitar"...
A caminho...



E eis que surge, encaixada no sopé do imponente e vigilante Cântaro Gordo…




Calma e serena, talvez ansiando por um Inverno que teima em se afirmar…



De regresso...


Para recordar como será com neve (foto amigavelmente disponibilizada por José Amoreira).

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Habitantes (3) - Truta Arco-Íris (Oncorhynchus mykiss)

E continuando a nossa jornada pelos vários seres vivos, que fazem das lagoas da Serra da Estrela "o seu mundo"...

A truta arco-íris é uma espécie de truta
originária da América do Norte, mas que se encontra distribuída actualmente por todo o mundo. A espécie foi introduzida em pelo menos 45 países, para aquacultura, com um sucesso tremendo a nível económico, permitindo que quase todo o mundo tivesse acesso à sua carne.

As trutas arco-íris são peixes de água doce preferindo águas frias e claras com corrente moderada, sendo uma espécie apreciada para a pesca desportiva, principalmente em lagoas ou barragens de altitude.

Têm o corpo acastanhado ou amarelado, com pintas pretas na zona do dorso, também presentes nas barbatanas dorsal e caudal. Como característica distintiva têm uma risca rosada que se prolonga das guelras à barbatana caudal. A truta arco-íris pode atingir dimensões consideráveis (tendo em conta o seu habitat), podendo atingir entre 70 cm a 90 cm de comprimento e um peso a rondar os 10kg (embora existem dados de exemplares maiores e com mais peso).

Possui um hábito alimentar omnívoro, alimentando-se de minhocas, ovos de peixes, pequenos peixes, crustáceos e insectos.

É uma espécie tremendamente voraz, agressiva e lutadora, o que a torna um excelente chamariz para os amantes da pesca desportiva. Na Serra da Estrela, ela foi introduzida em algumas barragens (Vale do Rossim, Lagoacho, Lagoa Comprida, Lagoa do Viriato, entre outras) com esse fim.

Não sendo uma espécie autóctone, como a sua prima truta-fario (em cima) ou truta comum (Salmo trutta fario), ainda não está totalmente apurado o seu verdadeiro impacto, embora seja evidente a predação de espécies nativas, bem como a disseminação de furunculose e septicemia hemorrágica viral entre espécies nativas.

Uma das grandes "vantagens" das trutas arco-íris das lagoas da Serra da Estrela, é que são espécimes híbridos (?), ou seja, não se reproduzem (não existem certezas deste facto), já que derivam, na sua grande maioria, de viveiros existentes na região.

Em Portugal, a Serra da Estrela possui qualidades únicas para a pesca desportiva de montanha (a prova disso foi a recente realização, em 2006, do Campeonato do Mundo de Flyfishing, envolvendo mais de 4.000 pessoas), como produto desportivo e turístico.

Como amante da pesca desportiva de aventura "sem morte", a excelência das suas lagoas (naturais e artificiais) e rios, a paisagem, a gastronomia da nossa região, a aventura (para se alcançar os locais de pesca), seriam um cartaz turístico de inigualável qualidade. (Um tema a abordar posteriormente.)

É um mercado por explorar, sendo responsável, noutros países, por gerar milhões de euros. Em Espanha, depois do futebol e dos desportos de Inverno, o mercado da pesca/caça é aquele que gera mais receita, superiorizando-se , por exemplo, ao golf. O mesmo se passa na Patagónia, no Canadá, no Alasca, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia, onde a pesca desportiva de aventura, (principalmente dos salmonídeos) tem um papel crucial, como destino turístico de "gama alta" e onde a sustentabilidade ambiental é “cabeça de cartaz”.

Para terminar, o exemplo de algumas amostras (http://www.conmosca.com/) construídas à mão, usadas para as "enganar" (uma autêntica arte, sem dúvida).